Entrevista #2 | Rossana Di Munno (Editora Borogodó)

A primeira vez que ouvi falar de Rossana Di Munno e sua Editora Borogodófoi durante a disciplina de “Livros Independentes” na especialização em Design Editorial que estou terminando. A professora da disciplina estava pesquisando sobre encadernação de livros independentes e esbarrou com Rossana e sua editora durante a Feira Miolos de 2017 em São Paulo. Ficamos encantados com a forma que a Editora Borogodó mistura emoção e materialidade em seus livros, conceitos que fazem editora como ela e a Lote 42 se destacarem no mercado independente.

Assim que recebi por e-mail a primeira entrevista do blog feita com Marina Avila (link abaixo) acabei pensando em quem poderia ser a segunda pessoa entrevistada e tinha algumas certezas: que seria novamente alguém do ramo editorial e tivesse algo que marcasse sua produção. Assim foi fácil pensar no nome da Rossana.

Então vamos a nossa entrevista e espero que vocês se apaixonem pelo trabalho de Rossana e da Editora Borogodó assim como eu me apaixonei. E Rossana, por favor, abre um espaço para os quadrinhos também. 😀

 

Quem é Rossana Di Munno?

Sou artista visual de formação, com uma passagem rápida pela FAAP/SP [Fundação Armando Alvares Penteado] e uma decisiva na Escola de Artes Visuais do Parque Lage/RJ.

O que é a “Editora Borogodó”?

Borogodó é uma editora independente, embora há quem diga que esse nome esteja gasto, acho que “independente” me cai muito bem. Edito, publico e vendo como eu quero. Inicialmente o interesse era por fotolivro e livro de artista, mas depois que eu frequentei uma oficina de criação literária, acabei abrindo também pra essa área.

Qual foi a sua porta de entrada no universo dos livros?

Minha casa. Eu sempre estive rodeada por muitos livros. Já pensei em ter uma livraria e uma banca de jornal. Com minha amiga Hilda Gil, que agora é “minha” escritora, pensamos há décadas em abrir uma livraria especializada em livros policiais, suspense, terror, etc, ao lado do cemitério. Mas o projeto só rendeu boas risadas.

Quando você decidiu criar uma editora?

Eu tive um espaço relativamente bom nas artes visuais, participando de exposições importantes, individuais e coletivas. Mas acho que por conta de algumas longas viagens, na volta era sempre um “começar de novo”. E nos últimos anos essa tarefa foi se tornando cada vez mais difícil. Daí que chegou a hora de me reinventar e a ideia de abrir uma editora me pareceu muito prazerosa. Na mesma época começaram a surgir as feiras de publicações independentes. Assisti a vários bate papos com a Cecília e o João da Lote 42, e devo a eles essa minha nova empreitada. Quando eu olhava para os expositores, muito mais jovens do que eu (tenho 59 anos, Sub-60 como me disse um amigo), pensava : “se eles conseguem, eu também consigo”. Quase, não tenho a mesma agilidade e energia. Hahaha

Como você decide quais livros publicar?

A primeira ideia da Borogodó é a de desengavetar projetos bacanas. Tenho uma coleção de amigos criativos e inteligentes que, ou estão publicando alguma coisa comigo, ou fazem parte do que eu chamo de “conselho editorial”. Também conto com a ajuda da Luiza Ruberti, ela consegue transformar em livro qualquer ideia que eu tenha. Na maioria as publicações são encadernadas manualmente, uma tiragem limitada e numerada e esse processo quase artesanal faz com que meu poder de fogo seja mais limitado. Recebo textos e projetos, e estando no espírito da editora, publico. Mas a coisa pode ser um pouco lenta…

Como você observa hoje o mercado e a produção nacional de livros independentes?

Com entusiasmo!! Feliz por estar participando de tantas feiras com a Borogodó, que completa dois anos em junho! Feliz por ver essa moçada produzindo tanta coisa bacana!

Divide com a gente um fato que te marcou e influencia a sua carreira.

Eu acho que é o que eu já disse. Meu amor por livros desde criança, meu contato com as primeiras feiras de publicações independentes e as conversas com o João e a Cecília, e a oportunidade de trabalhar se divertindo com amigos queridos.

Quais são os seus projetos para o futuro?

Quanto às publicações, uma coleção de fotolivros, Fotoboró. Os dois primeiros, de Sylvia Masini e Beatriz Masson, serão lançados em maio. O plano é lançar quatro por ano. Um livro bilingue de Marcelo Carnevale, com textos sobre São Paulo de seu projeto A Vizinhança e ilustrações minhas, ainda no primeiro semestre. Um caderno de viagem, fotos, anotações, etc, ainda sem título e sem cara…E uma coleção de buttons. Fora isso, tenho planos de transformar minha casa em uma livraria de independentes. Comecei aos poucos, por enquanto com os livros da Lote 42.

Você poderia dar dicas para quem deseja criar uma editora independente.

Se eu que sou do tempo da letraset e do normógrafo, consegui, qualquer pessoa criativa, inteligente e que veio ao mundo pra trabalhar se divertindo, consegue. Mas acho importante visitar as feiras e participar das atividades extras que rolam durante, conhecer o trabalho dos editores e artistas e perceber a infinidade de possibilidades que existem pra cada um desenvolver o seu projeto.

Você pode encontrar o trabalho de Rossana

 


 

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