Análise | Bloodstained: Curse of the Moon

Bloodstained: Curse of the Moon é um game de ação em plataforma que usa a estética 8-bits já consagrada em consoles como o NES da Nintendo e o Master System da SEGA. Desenvolvido pela parceria entre Art Play Inc. e a Inti Creates Co e distribuído pela Inti Creates. para PS4, PSVita, Nintendo Switch, Nintendo 3DS, XBOX One e PC (via Steam) e lançado no dia 24 de maio de 2018.

O jogo foi prometido como uma premiação extra para aqueles que apoiaram o projeto do jogo Bloodstained: Ritual of the Night na plataforma de financiamento coletivo Kickstarter em 2015 e que conseguiu arrecadar em 60 dias mais de 5 milhões e meio de dólares. Esse pequeno jogo é uma prequel da aventura de Ritual of the Night que já tinha sido prometido para o fim de 2017, mas ainda não tem data de lançamento oficial.

Miriam, Zangetsu, Alfred e Gebel. Os personagens jogáveis no game. | Fonte: (Divulgação)

 

A agora a já franquia Bloodstained foi criada pelo lendário game designer japonês Koji Igarashi que trabalhou por muitos anos na Konami e em vários jogos da franquia Castlevania. Ele foi o diretor de Castlevania: Symphony of the Night, para Playstation de 1997 e que é considerado um dos melhores jogos da saga, do console da Sony e até de todos os tempos.

A história

Bom não existe exatamente uma história aqui. Assim como no primeiro Castlevania e diversos dos jogos do anos 1980/1990 temos apenas um conceito.

O jogador a principio tem o controle de Zangetsu um espadachim exorcista que após perder a família e ser amaldiçoado por um demônio poderoso jurou derrotar todos demônios que caminham pela terra. Durante uma de suas viagens ele sente a energia negra poderosa em uma região repleta de estradas de ferro e decide investigar. E é ai começa a sua aventura.

 

Os outros pontos da história surgem logo nas primeiras três fases. Após derrotarmos os primeiros chefes nós resgatamos três alquimistas que teriam sido derrotados e aprisionados por esse tal demônio poderoso que domina a região. Ao serem libertados eles decidem nos ajudar a dar um fim no bendito tinhoso.

São eles: Miriam, uma jovem órfã criada por uma guilda de alquimistas e que possui diversas runas pelo corpo que lhe dão habilidades de lutar contra os demônios; Alfred, um mestre alquimista que busca o famoso Liber Loageth (quem manja dos ocultismo de internet e Goetia sabe que livro é esse. Googlem isso!) e Gebel um ser criado por alquimistas, possui as mesmas runas que Miriam, mas ele detesta tanto os demônios quanto a humanidade quem o criou.

 

As influencias evidentes

Se você está achando esse jogo muito parecido com um certo outro clássico dos 8-bits… Achou certo!

Ele é mesmo e foi proposital, pois Bloodstained: Curse of the Moon emula as bases de um dos mais aclamados jogos da série Castlevania, mais precisamente Castlevania 3: Dracula’s Curse, jogo lançado para o NES ou Nitendinho em 1989. Diversas das mecânicas do game clássico estão aqui, mas foram melhoradas nos quesitos gráficos, level design e jogabilidade.

Trevor, Sypha, Grant e Alucard os personagens mais icônicos da franquia até hoje. | Fonte: (Divulgação)

 

No jogo clássico da Konami somos Trevor Belmont, um antepassado da família de caçadores de vampiros Belmont que de tempos em tempos surge para derrotar Drácula. Diferente do primeiro jogo da franquia em que você fazia toda a sua jornada sozinho. Neste você recebe a ajuda de Sypha Belnades uma feiticeira do clá dos Belnades que historicamente ajudam os Belmont, Grant Da-Nasty um pirata que foi aprisionado no castelo por Drácula e Alucard um dampir que é o filho de Drácula com uma humana. Juntos eles irão expurgar o mal do castelo de Drácula desta geração.

E sim esse é o mesmo Alucard de Symphony of the Night de PSX e esta é a mesma história que serve de base para a animação de Castlevania produzida em 2017 pela Netflix já com uma segunda temporada marcada ainda para esse ano de 2018.

Dracula’s Curse foi lançado apenas três anos após o primeiro jogo e é o ápice da franquia Castlevania nos 8-bits. Bons gráficos, história envolvente e mecânicas inovadoras pra época que era a possibilidade de se trocar de personagem durante o jogo. Você inicia a aventura com Trevor, mas podemos seguir caminhos diferentes entre as fases que nos levam a conhecer um dos três outros personagens e decidir se os levamos na nossa aventura. Cada um deles possui habilidades únicas que ajudam a derrotar os inimigos. Sypha usa diversos feitiços elementais, Grant se prende em paredes e Alucard atira bolas de fogo e se transforma em morcego acessando lugares altos.

 

Você leu tudo isso néh? Então guarda essa informação que daqui a pouco tudo vai fazer sentido.

As mecânicas do jogo

Curse of the Moon possui ao todo 8 fases e 9 chefes seguindo a mesma linha side-scroler de aventura com temática de terror da série Castlevania. Quem conhece a série da Konami não vai ter problemas em se adaptar as novas mecânicas que o prequel de Bloodstained apresenta.

O esquema é simples: Percorra o cenário derrotando os monstros e conseguindo power-ups → Derrote o chefe → Receba um novo aliado e/ou siga para o próximo estágio. Isso em ciclo até o final, mas as semelhanças com o jogo da Konami não param por ai.

Existem vários modos de jogo como o Normal, Nightmare etc. Escolher o modo de jogo influência na história contada e nos múltiplos finais do jogo. Segundo os desenvolvedores é no momento que você encontra os seus aliados que se decide esses finais.

 

Fica evidente os vários caminhos pra se seguir durante as fases e que a exploração é valorizada. Existem itens especiais espalhados pelas fases que podem aumentar, força, defesa, pontos de vida e o máximo de corações de forma permanente. Valendo a pena assim explorar todos os lugares. O nível de itens secretos no jogo é alto.

Os inimigos tem uma variedade boa, apesar das mecânicas de alguns serem idênticas, mas com skins levemente diferentes. Até a forma de matá-los é parecida. O que torna meio que cansativo e previsível sobre o que fazer.

Os chefes são bem fáceis. Quando comecei a jogar não imaginava que fossem tão fáceis. Já modo Nightmare surgem mais e novos elementos em tela tornando aqueles macetes que você aprendeu para derrota-los no modo normal praticamente inúteis.

Para vencer os desafios temos as habilidades de cada personagem: Zangetsu conta com a sua espada que tem alcance curto e suas habilidades usadas como subitens e que custam um valor variado de corações como um chicote com bola de ferro que ataca apenas em diagonal, selos mágicos que atacam em diagonal para baixo e se assemelham as águas bentas e a essência demoníaca que aumenta o dano dos ataques dele.

 

Derrotando os primeiros três chefes, como dito antes, você liberta um dos novos aliados: Miriam, Alfred e Gebel que possuem pontos de vida diferenciados e habilidades únicas.

Miriam usa um chicote como arma principal e de longe é a que mais tem a jogabilidade parecida com a de um Castlevania clássico. Ela pula mais alto do que os outros, da um deslize que permite passar por frestas e pode usa armas como facas, adagas, foices e machados de sub-itens.

Alfred tem um cetro que de alcance curto e baixo dano. Seu foco são os feitiços que são bastante poderosos e capazes de matar até chefes com rapidez. Ele pode criar lanças de gelo que congela quase tudo, um circulos de fogo que o protege e causa dano, esferas de eletricidade teleguiadas e um feitiço que cria um copias do feiticeiro. Na minha humilde opinião esse último é o pior dos quatro. Sua jogabilidade é claramente inspirado em Sypha de Dracula’s Curse.

Gebel ataca lançando três morcegos em diagonal ascendente e não possui nenhum sub-item como os outros. Ele apenas se transforma em um morcego ao custo de corações. Oi? Eu ouvi um Alucard aê?

A experiência pós-jogo

O pós-game é incentivado. O final em aberto deixa claro que têm mais coisa pra se fazer e que existem segredos inexplorados no jogo e que são necessários para se ter a experiencia completa. Eu gostei da ideia, pois te força a zerar o game mais de quatro vezes pra isso.

Existem diversas opções e caminhos a se seguir, por exemplo, você pode zerar o game levando Miriam, Alfred e Gebel com você no Normal Mode liberando o Nightmare Mode que é uma segunda quest do jogo, mas se eu explicar no que consiste ele vira baita spoiler do fim do jogo. Resumindo você deve passar todas as fases novamente na intenção de libertar uma certa alma atormentada. Terminando esse modo ganhamos uma presente em forma de cena pós-créditos: um belo easter-egg pros fãs dos trabalhos da Inti Createsdesenvolvedora deste jogo e criadora da série Gunvolt.

Caso você opte por fazer o seu caminho sozinho ignorando os aliados ou decida matá-los, isso mesmo você pode matar os aliados que você liberta derrotando os chefes. Você recebe suas almas e destrava novas habilidades para Zangetsu como um novo ataque energizado “like a Megaman”, pulo duplo e uma especie de “dash”. Terminado o jogo dessa forma você obtém o final ruim e enfim libera o Ultimate Mode e o Boss Rush.

Ultimate Mode é um modo que você inicia o jogo já com as habilidades das almas liberadas e pode salvar seus aliados e leva-los com você sem problemas. Isso muda o final do jogo? Infelizmente não. Mas pelo menos é a melhor e mais completa experiencia de jogo, pois oferece tudo a você.

Além disso tem o Boss Rush, velho conhecido da série Castlevania nos portáteis da Nintendo que é um modo onde você deve matar todos os chefes do jogo no minimo de tempo possível.

 

Uma curiosidade é que ao decidir o modo de jogo entre Veterano e Casual você pode ligar e desligar o odiado feito de backdrop, que é aquele empurrão para trás que levamos ao ser acertados fazendo muitos jogadores caírem em buracos e morrem. Isso muda muito a forma como você joga. O modo causal também dá vidas e continues infinitos tornando a jornada mais um questão de paciência do que de habilidade. Ah! Eles não influenciam em nada nos finais ou seja, escolha livremente.

Vale a pena?

É complicado dizer se você deve ou não comprar o jogo. Ele está custando apenas R$20 na Steam. Certamente nas promoções que virão e quando Ritual of the Night sair o preço cairá e ele poderá sem comprado em conjunto. Mas o valor é relativamente barato para um jogo como ele. Quando o terminei pela primeira vez fiquei surpreso por saber a existência de um pós-game e que a história continuaria em novo modo relativamente mais difícil e com todos os elementos conquistados da gravação anterior. Basicamente é um “NewGame+” com algumas considerações. Presenteando o jogador por suas conquistas.

Se você quer apenas matar a saudade dos antigos Castlevanias clássicos pode ir sem medo, mas se você quer mesmo conhecer mais do universo de Bloodsteined antes do jogo oficial sair, não tem muito. Informações ou um enredo elaborado não serão encontrados. Então nem perca o seu tempo, apenas se divirta.

 


 

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