Crítica | Captain Tsubasa (2018)

Captain Tsubasa (キャプテン翼) é uma série de quadrinhos e animação japonesa criada por Yoichi Takahashi publicada na revista semana japonesa Shonen Jump da editora Shueisha entre 1981 e 1988. A animação teve quatro versões aos longos desses mais de 30 anos e sempre que se aproxima uma Copa do Mundo, o Japão tenta resgatar a série.

Coincidência ou não. Não é só Captain Tsubasa que está de volta. A empresa multimídia Level-5 também está aproveitando o hype da Copa e está lançando um novo jogo, manga e anime de sua franquia de futebol Inazuma Eleven. Eu até já falei sobre os primeiros episódios da série animada aqui no blog.

Uma breve história das animações de Captain Tsubasa

Antes de falar sobre o quão importante esta série nova pode ser para a franquia é preciso falar um pouco das outras das animações e algumas de suas incongruências.

Capitain Tsubasa de 1983 | Fonte: (Divulgação)

 

A primeira animação se chamava apenas Captain Tsubasa e teve uma série de OVAs chamada Shin Captain Tsubasa. Produzida pela Toei Animation e lançada na TV em 1981, foi exibido enquanto o manga ainda estava em produção. Teve ao todo 128 episódios e segue a história de Tsubasa desde a sua chegada em Nankatsu até o mundial sub-17. Foi a maior série até agora e tem 6 temporadas ao todo.

A animação não é o melhor que se tinha nos anos 80 e tem diversos dos vícios como falta de profundidade e passagens importantes em OFF. A abertura da série é a música “Moete Hero” que virou uma marca da série. Ela é tão icônica que foi regravada para ser o primeiro encerramento desta nova série. Confiram a original:

A segunda animação é Captain Tsubasa J, também produzida pela Toei Animation em 1994. Tem esse J no nome devido ao lançamento da “J League” que é a liga de futebol japonês que havia começado em 1992. O objetivo desta série era estimular as crianças japonesas na pratica do esporte. É justamente essa que foi adaptada no mundo todo ou como “Benji & Oliver: Los Super Campeones” ou apenas “Super Campeões”.

A série têm 46 episódios em uma única temporada que exibidos no Brasil pela extinta TV Manchete e reconta os eventos da série original com a chegada de Tsubasa a província de Nankatsu até a classificação do time juvenil do Japão para a Copa da Asia Sub-17.

Lionel Messi, Xavi Hernandez, Andrés Iniesta, Zinedine Zidane são alguns dos fãs assumidos de Captain Tsubasa. Já Fernando Torres e Sergio Aguero afirmaram que Tsubasa teve papel decisivo em suas carreiras. O atacante do Atletico de Madrid se tornou jogador por ter o personagem japonês como ídolo na infância enquanto o argentino do Manchester City usa até hoje nas partidas mais importantes sua caneleira da sorte com a estampa do artilheiro nipônico.

A abertura original “Figthting” é muito boa e tem bem uma pegada bem j-rock anos 90. Porém a versão que chegou aqui foi uma adaptação da versão italiana, que usaram no México e depois aqui no Brasil. Com a famosa frase “Saúdo a todos no circulo central / A bola me espera na marca da cal”. ou “Com toda a garra eu vou / Ao som do rock’n roll / Hoje eu vou arrebentar”. Não lembra dessa perola da adaptação? Não seja por isso.

As adaptações ficaram a parte da Santoy, empresa que trouxe os Cavaleiros do Zodíaco para o Brasil, e acreditava que nomes como Roberto Hongo, Genzo, Taro e Tsubasa não seria vendavéis e baseados na versão italiana eles viraram Roberto Maravilha, Benji, Carlos e Oliver respectivamente.

Essa segunda série é justamente um dos motivos que me fizeram fazer quadrinhos e leva comigo todo o peso da nostalgia. Já até comentei aqui no blog sobre isso quando falei sobre o meu quadrinho Eleven Dreamers.

Fun fact 1: Uma curiosidade sobre Captain Tsubasa J é que ele não tem final. Segundo fontes da época foi devido a não classificação do Japão para a Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos, o entusiasmo e a audiência da animação caíram bastante forçando o seu cancelamento. Foi justamente nessa Copa que o Brasil se sagrou tetracampeão mundial.

Não tem como negar que essa ilustração me trás uma nostalgia danada. | Fonte: (Divulgação)

 

E a ultima animação até então foi Captain Tsubasa: Road to 2002, produzida pela nossa conhecida Toei Animation e lançada em 2001 no Japão. Ela reconta PELA TERCEIRA VEZ só que forma mais resumida ainda que as anteriores os eventos da série clássica. Teve ao todo 52 episódios, mas mudou a perspectiva da história dando foco a passagem de Tsubasa pelo Brasil, sua ida para Espanha jogar no Barcelona e finaliza com a final da Copa do Mundo de 2002 entre Brasil e Japão. Um jogo por sinal que não é mostrado. A marca que a série deixou foi a sua primeira abertura “Dragon Screamer”.

Fun fact 2: Por questões de direitos autorais diversos nomes de jogadores e times tiveram que ser alterados pela equipe de animação. Assim Barcelona virou Catalunha, São Paulo virou Brancos F.C. e etc.

E assim chegamos a 2018 onde teremos mais uma Copa do Mundo na Rússia e evidentemente mais uma animação de Captain Tsubasa.

Entre stands e super chutes

A nova animação se chama apenas de Captain Tsubasa, ou Captain Tsubasa 2018 como o fandom a está conhecendo e está sendo produzida pelo estúdio japonês David Production que tem no currículo diversos curtas de animação para o bloco DC Nation da Cartoon Network e tem como trabalho mais conhecido mundialmente as quatro primeira temporadas de Jojo’s Bizarre Adventure.

Quando a série foi anunciada no fim de 2017 foi um alvoroço na comunidade otaku justamente pelo nome da empresa que assumiria a animação. Até então nas mãos da Toei e agora os fãs poderiam contar com a qualidade do estúdio que tem assinatura.

Ao todo foram encomendados 52 episódios divididos em duas temporadas de 26 episódios. Enquanto estou escrevendo esse texto estamos no 11º episódio da primeira temporada. E acredita-se que a série recontará MAIS UMA VEZ os eventos da série clássica, ou seja, da chegada de Tsubasa a Nankatsu até a final da Copa da Asia Sub-17 contra a Tailândia.

“It’s a fucking Jojo’s Bizarre Adventure reference!?!” | Fonte: (Divulgação)

 

A nova animação tem a direção geral do experiente Toshiyuki Kato (Crono Crusade, Getbackers, Ruroni Kenshin e Jojo’s Bizarre Adventures) e o design de personagens assinado por Hajime Watanabe (School Rumble, Kaleido Star, Tenshi Muyo e Super Doll Licca-chan). Uma equipe super experiente e que se demonstra isso no ritmo da narrativa da série.

Na minha memoria é claro como a animação era travada e coisas sem sentido como o campo infinito, os super saltos e as conversas telepáticas me animavam e me irritavam ao mesmo tempo. O trabalho da David Production está nos apresentando é surpreendente. O campo parece menor e os passes rápidos e possível bastante possíveis. Uma adaptação muito bem-vinda obrigado.

Outro ponto que me saltou aos olhos foi a localização da história nos dias atuais e nas posturas dos personagens. Vemos elementos como smartphones e TV Digitais e a tentativa de colocar os personagens nesse novo contexto.

Apesar que isso acaba meio de lado em detrimento a outro ponto da história como Benji precisar de uma revista que chegou pelo correio para saber que Roberto se aposentadoria. Algo que nos dias de hoje saberíamos em tempo real praticamente atreves de redes sociais, por exemplo, Roberto teria q de alguma forma comunicar aos patrocinadores ou fazer uma coletiva de imprensa, mas vamos relevar isso ai.

O ponto aqui é que o futebol hoje não é o mesmo que o de 1983 quando a série foi criada. E seria muito legal que ela se atualizasse de verdade.

A geração de ouro do futebol Japonês.

Os primeiros capítulos apresentam os eventos do primeiro volume do manga. E vamos focar aqui no primeiro capitulo em que acontece muita coisa.

Nos primeiros minutos somos apresentados a família Oozora e ao pequeno Oozora Tsubasa que ganhou do seu pai uma bola de futebol. Ele não larga de jeito nenhum e aqui já vemos algumas mudanças com relação aos clássicos na forma que personagens são apresentados. Nos primeiros minutos já descobrimos que o pai de Tsuabasa, o capitão Kodai Oozora, trabalha viajando em cargueiros, conhece o mundo inteiro e passa meses longe da família.

Com esses pais meio relapsos e competitivos Tsubasa acaba deixando a bola escapar e a indo buscar no meio da rua. Nesse momento um caminhão vem rápido e vai atropelar o pequenino. Surpreendentemente ele é salvo pela bola criando um dos motes da série inteira: A bola é a nossa amiga.

É um passaro? Um avião? Não é o Tsubasa! | Fonte: (Divulgação)

 

Saltamos anos a frente e a família Oozora chega ao distrito de Nankatsu na cidade de Shizuoka e logo Tsubasa procura fazer amizade. Nesse rolê pela região ele esbarra com Ryo Ishizaki e o time da escola de Nankatsu que está numa acalorada discussão com o goleiro gênio Genzo Wakabayashi e o time B do Escola Shutetsu rival histórico da Escola Nankatsu. Genzo afirma que o time da Nankatsu é feia de pernas de pau. Eles haviam perdido de 50 a 0 no campeonato escolar do ano passado e por isso não merecem o campo.

Ishizaki, como bom moleque de rua, resolve chamar vários veteranos de outros esportes da Escola Nankatsu pra confrontar o goleiro. Genzo desafia a qualquer um dos veteranos a tentarem fazer um gol nele seja lá com o que estiverem usando. Isso causa um dos momento mais WTF da série.

Fun fact 3: A cidade de Nankatsu não existe de verdade. O nome veio do apelido que era dado para a escola elementar que o autor Yoichi Takahashi estudou na infância. ¯\_(ツ)_/¯

Genzo simplesmente defende todas as bolas que lançam ao gol que vão de basebol passando pelo basquetebol e handebol. Ele defende até um dardo lançado por um dos veteranos. Tsubasa ao ver aquilo fica encantado com a qualidade de Wakabayashi e quer de qualquer for enfrentá-lo.

Participação especial Punch! Fansubs | Fonte: (Divulgação)

 

Mais uma das soluções bem-vindas com relação a animação são as ilustrações estáticas em momentos marcantes e/ou que fazem referências ao manga e a série clássica.

Tsuabasa então decide ele mesmo desafiar Genzo enquanto Ishizaki fala sem parar, mas contextualiza a relação das duas escolas, ou seja, ele é o plot device e muito do que sabemos da história vem da visão dele como o 50 a 0 e o porque o time de futebol ser tão fraco. Nesse momento ele é praticamente um co-protagonista da série, pelo menos nesta primeira fase que é o jogo contra a Shutetsu.

Do topo da colina da cidade, a quilômetros de distancia da mansão que Genzo, Tsubasa chuta a bola com uma mensagem de desafio. Um bêbado que estava próximo não acredita no que viu e corre na direção que a bola vai.

Genzo e seu treinador não acreditam que aquela bola realmente tenha vindo da colina, mas o goleiro, no fundo, sabe que quem a enviou foi um aluno do primário devido a letra feia. O bêbado chega a tempo procurando pela bola que chutaram na colina. Eles até acham que foi o bêbado que a chutou, mas ele nega o que confirma a teoria dos dois.

O treinador têm a impressão de que conhece aquele homem e o conhece mesmo! Ele é Roberto Hongo, Roberto Maravilha na versão brasileira dos anos 90, um jogador profissional de futebol e astro da seleção brasileira.

Larga essa manguaça Roberto | Fonte: (Divulgação)

 

Roberto é um dos melhores casos para explicar as melhoras com relação a série original. Ele parece bem mais alegre nos acontecimentos e é mais “expressivo” em seus sentimentos. Algo que os estrangeiros falam muito sobre os latinos em geral, mais especificamente os brasileiros, é que somos afetuosos e sorridentes.

Esse Roberto é assim e um outro ponto sobre ele é que finalmente entendemos algo que a dublagem brasileira de Captain Tsubasa J nunca sobe explicar sobre Roberto. Ele é na verdade nipo-brasileiro. Seu pai era um marinheiro japonês que teria conhecido sua mãe em uma passagem pelo Rio de Janeiro. Esse é um dos motivos em que ele têm um sobrenome claramente japonês.

Fun fact 4: Roberto Hongo é inspirado no jogador brasileiro Sócrates que tinha um histórico de alcoolismo que sempre atrapalhou sua carreira. Por outro lado o caso de deslocamento de retina foi inspirado em outro jogador Brasileiro. Eduardo Gonçalves Almeida o “Tostão” campeão do mundo pelo Brasil em 1970 no México que precisou abandonar a carreira devido a lesão.

Qual a chance dele acertar esse chute? | Fonte: (Divulgação)

 

Enfim quando Genzo decide buscar mais informações sobre a tal bola e quem seria esse Tsuabasa os dois se encontram na rua e o goleiro duvida de que aquele garoto do outro lado da rua tenha mesmo chutado a bola. Ele chuta a bola com toda a força na direção de Tsubasa à devolve com mais força e passando por baixo de um caminhão em movimento. Fica evidente nesse momento que os dois têm algo a resolver e Genzo aceita o desafio. Fim do primeiro episódio.

Muitas coisas ainda vão acontecer e a partida entre Nankatsu e Shutetsu tem momentos emocionantes. A apresentação de Kojiro Hyuga que até então na minha memoria era a de anti-herói foi mais humanizada. E de cara entendemos as usas motivações e até entendemos os motivos dele.

Concluindo

Se você é fã da franquia ou tem ainda alguma nostalgia por Captain Tsubasa a série de 2018 é recomendadíssima. Mas se você deseja conhecer mais sobre a saga vale conhecer a série de 1983 e seus 128 episódios, OVAs que ampliam o canon e ainda é a mais completa adaptação da série.

Continuamos sem previsões de uma possível publicação da série clássica. Um dos argumentos para que isso não tenha acontecido até agora seria a relevância da série hoje e que não valeria a pena já ela é bastante datada tipo Hokuto no Ken.


 

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