Crítica | Voltron Legendary Defender

Volton Legendary Defender (Voltron: O Defensor Lendário no Brasil) é uma série de animação americana/sul-coreana produzida pela Dreamworks Studios Animation Television em parceria com o Studio Mir da série Avatar: The Legend of Korra e o filme The Death of Superman. Lançado em 2016 como um filme de 69min e posteriormente com episódios de 23 minutos está atualmente com 65 episódios em sua Sétima Temporada e é distribuída com exclusividade pela Netflix para o mundo inteiro.

Aproveite e conheça as minhas últimas criticas:

  • Crítica | Captain Tsubasa (2018)
  • Crítica | Inazuma Eleven: Ares no Tenbin

Os “Satuday Morning Cartoons” americanos.

Dentro de uma imensidão de animações pipocando as telas todos os dias e para um geração mais imediatista que busca na maratona sanar aquela sensação de “queremos tudo de uma vez”. Voltron une ação, comedia, ficção cientifica e robôs numa mistura que vem como toda a nostalgia dos anos 1980/1990 os as animações nada mais eram do que grandes comerciais de brinquedos que passavam nos sábados pela manhã, os “Saturday Morning Cartoons” como são conhecidos hoje animações como He-Man and The Masters of the Universe, G.I.Joe. e My Little Poney. Isso se justifica pois na verdade Voltron é um remake de uma outra animação que passava na TV nessa época: Voltron: Defender of the Universe que por sua vez é um remendo de outra animação dessa vez japonesa.

Muito que foi visto na TV brasileira vinha desses blocos. | Fonte: Divulgação

Desde os anos 1960 o tema de robôs, ou “Mechas” domina as animações japonesas levando histórias que mescam fantasia, aventura com a alta tecnológica. Astro Boy, Gundam, Evangelion, Macross e Ghost in the Shell são apenas algum dos melhores títulos do gênero que chegaram desse lado do planeta. Foi somente nos anos 1980 que o ocidente descobriu o poder comercial do gênero quando a empresa de brinquedos americana Hasbro importa os Microman da japonesa Takara e os renomeia como Transformers, dando ao produto um comercial de 26 minutos na forma de uma animação aos sábados na TV americana e uma série de quadrinhos feitos pela Marvel Comics. A explosão de animações genéricas de robô chegando na terra do Tio Sam era inevitável e entre todas as outras uma se destacou: Hyaku Jou GoLion (百獣王ゴライオン).

A história do rei das cem feras

GoLion é um serie de animação produzida pela Toei Animation (olha ela por aqui de novo) e exibida pela TV Tokyo entre 1981 e 1982 com 52 episódios. A história se passa em 1999 quando o planeta Altea é subjugado e escravizado pelo império Galra. Cinco pilotos espaciais retornam à Terra e encontram o planeta aniquilado por uma guerra termonuclear. Eles são capturados e escravizados, forçado-os a lutar por suas vidas na arena do grande Imperador Daibazaal. Em fuga, os pilotos chegam ao planeta Altea, onde eles descobrem o segredo de GoLion, um poderoso robô formado por cinco partes que lembram felinos e é a única arma poderosa o suficiente para derrotar as forças do Imperador. Depois se descobre que milhares de anos atrás, GoLion derrotou vários inimigos e tentou desafiar uma deusa para a batalha, mas não conseguiu. Para ensinar-lhe a humildade, a deusa o separou em cinco pedaços, na forma de cinco robôs felinos que navegaram pelo espaço e terminaram pousando em Altea, na esperança de que aqueles que um dia alguém iria despertar-lhe para lutar contra o mal mais uma vez.

A série segue vários dos clichês da época e visível a influencia das séries Super Sentai, que também pertencem a Toei são adaptados no ocidente como Power Rangers e Kagaku Ninjatai Gatchaman da Tatsunoko Studio. A animação é coerente com o período, mas tem muitas incongruências. A verdade é que se não fosse pela adaptação americana, hoje GoLion estaria no limbo como tantas outras séries de mechas genéricas da época.

Quando GoLion vira Voltron

Trazida pera os EUA pela empresa de brinquedos Matchbox, GoLion nem de longe estava palatável ao público americano. Por isso uma empresa foi contratada para ser a responsável pela adaptação/localização da série. A World Events Produtions do produtor Ted Koplar montou uma equipe em Los Angeles para transformar Golion no que se tornaria Voltron. Peter Keefe foi trazido a bordo como Produtor Executivo e Franklin Cofod como o Diretor.

Não se tinham meios de traduzir a série japonesa para o inglês, então Keefe e Cofod supuseram, isso mesmo, os enredos e encarregaram o escritor Jameson Brewer de reescrever tudo. Com novos diálogos, eles editaram as cenas mais violentas e remixaram o áudio para o formato estéreo. A série foi um verdadeiro sucesso imediato nos Estados Unidos, fortalecendo o mercado de distribuição de produtos de programas infantis em meados da década de 1980. Exatamente o que a Matchbox queria, um sucesso como o dos Transformers da Hasbro.

Originalmente a série japonesa Mirai Robo Darutaniasu ( 未来ロボ ダルタニアス) que seria Voltron, mas na hora de solicitar as “fitas masters” a Toei Animation para a adaptação, os produtores apenas solicitaram “A que têm o leão” e equivocadamente, a Toei enviou as cópias GoLion, que era um outro desenho animado “gatai”, ou seja, que apresentava também naves robotizadas de combate em forma de leão que se combinavam num robô maior. No fim, os produtores acabaram preferiram o GoLion mesmo e se tornaram a parte mais popular da série.

Mirai Robo Darutaniasu (1979–1980) | Fonte: Toei Animation (Divulgação)

Assim nasceu Lion Force Voltron a primeira das séries Voltron com um sucesso tão absurdo que além dos 52 episódios normais foram encomendados mais 20 episódios exclusivos e produzidos pela Toei já incorporando os elementos criados pela versão americana. Não o suficiente outras duas séries foram produzidas adaptando series japonesas: Kikou Kantai Dairagan XV que virou Vehicle Team Voltron e Kousoku Denjin Arubegasu que foi convertido em Gladiator Voltron. Criando assim uma franquia que teve novas séries em 1986, 1998, planos de um live-action em 2005, uma nova série em 2011 e por fim a nova série de 2016.

Uma série aclamada e premiada

Assim chegamos a janeiro de 2016 quando a plataforma de streaming Netflix em parceria com a Dreamworks Studios anunciaram os primeiros 13 episódios da nova série e para realizar tal trabalho eles repetiram a equipe de sucesso da série The Legend of Korra que tinha acabado meses antes. Como showrunners foram chamados os experientes Lauren Montgomery e Joaquim dos Santos que trabalharam em séries para a DC/Warner e Nickelodeon como Justice League Unlimited e as duas séries Avatar. Para animação o sul-coreano Studio Mir que também trabalhou em Korra e Teenage Mutant Ninja Turtles foi encarregado numa promessa de 76 episódios divididos em 8 temporadas. Nesta nova adaptação diversos elementos foram ajustados, mais a essência se manteve e diversos acontecimentos continuam.

Fonte: Dreamworks/Studio MIR/Netflix (Divulgação)

Nesta nova aventura nos coloca diante do malvado Império Galra, que por milênios, assola o universo destruindo outras civilizações e escravizando várias raças. A única ameaça conhecida forte o suficiente contra o poder e os planos do império é o lendário Voltron o “Defensor do Universo”, um robô guerreiro de mais de 100m composto de cinco mechas de felinos cujos pilotos são conhecidos como os Paladinos. No ponto crucial da guerra que terminou com a destruição do planeta Altea, Voltron foi separado pelo rei Alfor de Altea a fim de proteger Voltron de cair na posse do imperador galra Zarkon. O rei Alfor uniu as energias dos cinco felinos à força vital de sua filha Allura e os enviou através do universo para diferentes locais até que a próxima geração de Paladinos aparecesse e o piloto Voltron chegasse. A princesa Allura, seu retentor, Coran, e o castelo de Leões Alteanos estavam escondidos no planeta Arus junto com o Leão Negro. No presente, o caminho de conquista e busca de Voltron pelo Império Galra os levou ao sistema solar da Terra. Um grupo de pilotos espaciais — Shiro, Keith, Lance, Pidge e Hunk — descobrem o Leão Azul e imediatamente são arrastados para a Guerra Galra. Eles conhecem a princesa Allura, tornam-se os novos paladinos e reúnem os cinco leões para formar Voltron. Começando a sua luta para libertar o universo do Império Galra.

A nova série foi recebida com bom grado pelos fãs da série clássica e pela critica agregando 100% no site Rotten Tomatoes em sua primeira temporada. Além disso a série é reconhecida com a melhor animação desde o fim de Korra pela IGN com nota 8,9/10 e sendo indicada a pelo menos 7 premiações em 16 categorias diferentes. Ela venceu em 9 delas todas em categorias de voz original que é assinada pela experientíssima Andrea Romano que têm Batman: A Série Animada, Tiny Toons , Animaniacs, Freakazoid, Pinky e o Cérebro, Jovens Titãs, Avatar: O Último mestre do Ar, A Lenda de Korra, Super Choque, Liga da Justiça, Liga da Justiça Sem Limites, Batman do Futuro e Bob Esponja entre outras.

Muito grande não lí

Voltron: Legendary Defender, que atualmente caminha para o seu final, é um case de série que surgiu como um pastiche de série japonesa, mas ganhou identidade própria e é hoje uma das melhores animações na TV, superando sua original. O programa abordou de tudo, desde tortura e nacionalismo até a identidade e a família. Três de seus personagens principais perderam os pais e o seu planeta inteiro. Shiro experimenta regularmente sintomas de TEPT como o resultado de ter sido um prisioneiro dos galra, na segunda temporada a misericordiosa Princesa Allura foi forçada a se desmembrar de seu próprio racismo quando a ascendência galra de Keith foi revelada e logo em seguida se enamorando pelo príncipe galra Lotor que é um meio-aluriano. Principe Lotor que surgiu nos filler feitos para toei exclusivamente para Voltron, mas com suas generais, todas mulheres se mostra um líder frio, astuto, habil no combate e ao mesmo tempo misericordioso e destemperado quando o assunto é seu pai Zarkon. Pelo menos até ter suas reais intenções fascistas e eugênicas reveladas. Uma clara alusão ao que nos levou as últimas duas grandes guerras.

Fonte: Dreamworks/Studio MIR/Netflix (Divulgação)

Nas temporadas recentes temos dois casos de relacionamento abusivo e até homoafetividade na “amizade” de Shiro por um outro oficial da Aliança Galática. O que temos é aquela grata sensação de respeito com a audiência ao tratar de assunto de forma séria e humanizada. Respeitando a evolução dos personagens e com uma delicadeza e seriedade que não víamos na TV desde o Batman TAS de Bruce Timm, e A Lenda de Korra, da mesma equipe, que teve um polêmico final subentendido.

O que nos é entregado é uma mitologia ampla, poderosa e que angaria fãs antigos e novos assim como eu.

Vida longa ao Defensor Lendário!

Todas as temporadas da série estão disponíveis na Netflix.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *